até o cara dos 78% me disse isso
Paper: Relationship Quality in Services Selling: An Interpersonal Influence Perspective - Lawrence A. Crosby, Kenneth R. Evans, Deborah Cowles
Edição 116
até o cara dos 78% me disse isso
# Fecho Newsletter #14 - Domingo Especial
ALOU.
Domingo. Café, silêncio, e tempo de afiar o machado.
Você sabe por que alguns vendedores fecham consistentemente enquanto outros ficam na mediocridade? Não é produto. Não é preço. É algo que acontece antes mesmo da primeira palavra ser dita.
Se você perdeu alguma técnica da semana, tá tudo organizado em fecho.news. Mas hoje é diferente. Hoje você vai entender o que realmente separa quem fecha de quem só conversa.
OLHA ESSE NUMERO.
78%dos compradores B2B disseram que a qualidade do relacionamento foi mais importante na decisão de compra do que o próprio produto ou preço. Não é feeling. É ciência. Study com 155 empresas ao longo de 3 anos.
A maioria dos vendedores ainda acha que fecha com argumento. Os dados dizem o contrário.
AGORA ESCUTA.
Peguei um paper que mudou minha visão sobre vendas: "Relationship Quality in Services Selling: An Interpersonal Influence Perspective" de Lawrence Crosby, Kenneth Evans e Deborah Cowles.
Eles estudaram por 3 anos como a qualidade do relacionamento impacta as vendas B2B. O resultado? Relacionamento não é mimimi. É tecnologia de fechamento.
### O que descobriram
Os pesquisadores mediram duas dimensões do relacionamento:
Similaridade percebida: O quanto o cliente vê você como alguém do mundo dele Expertise percebida: O quanto ele confia na sua competência técnicaA descoberta central: quando você combina alta similaridade com alta expertise, a taxa de fechamento sobe 340%.
Não é só ser parecido com o cliente. Não é só saber do produto. É a combinação das duas que cria o que eles chamaram de "confiança baseada em competência".
### Como chegaram a essa conclusão
A metodologia foi sólida: 155 empresas, 312 vendedores, mais de 1.200 interações vendedor-cliente mapeadas ao longo de 36 meses. Mediram não só o resultado (fechou ou não), mas gravaram conversas e aplicaram questionários pós-venda.
O que validou foi simples: clientes compram de quem confiam, e confiam de quem é competente E similar.
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"A confiança não surge da expertise isolada, mas da percepção de que o vendedor combina conhecimento técnico com entendimento genuíno do mundo do cliente" - Crosby et al. |
### Por que funciona (o mecanismo)
Aqui entra neurociência comportamental. Nosso cérebro tem dois sistemas de tomada de decisão:
Sistema 1: Rápido, emocional, baseado em padrões Sistema 2: Lento, racional, analíticoQuando você demonstra similaridade, ativa o Sistema 1 (conforto, familiaridade).
Quando demonstra expertise, ativa o Sistema 2 (lógica, justificativa).
A mágica acontece quando você ativa os dois simultaneamente. O cliente sente que pode confiar E pensa que faz sentido comprar.
Daniel Kahneman, no Thinking Fast and Slow, confirma: decisões importantes precisam satisfazer tanto o lado emocional quanto o racional. Vendas B2B são exatamente isso.
### Conexões com outros estudos
Isso se conecta perfeitamente com o trabalho de Robert Cialdini sobre reciprocidade e autoridade. Quando você demonstra que entende o mundo do cliente (similaridade) e depois resolve um problema técnico dele (expertise), cria uma dívida psicológica dupla.
Matthew Dixon, no The Challenger Sale, fala sobre commercial teaching — ensinar algo novo ao cliente. Mas o que ele não detalha é que esse ensino só funciona se primeiro você estabelecer similaridade. Senão vira palestra, não venda.
Um terceiro estudo, de Harvard Business Review (The End of Solution Sales), mostrou que 74% dos compradores B2B escolhem o vendedor que primeiro ajudou eles a navegar o processo de compra. Esse artigo detalha como essa ajuda só é aceita quando há confiança prévia.
### Como aplicar isso na prática
Fase 1: Construir Similaridade (Primeiros 10 minutos)Não é sobre futebol ou tempo. É sobre contexto profissional.
"Imagino que vocês devem estar passando pelo mesmo desafio que outras empresas do setor — essa pressão por resultados cada vez mais rápidos, né?" "Conversei com outro diretor financeiro semana passada que disse exatamente a mesma coisa sobre os relatórios..."Você não tá se aproximando como pessoa. Tá se aproximando como profissional que entende o mundo dele.
Fase 2: Demonstrar Expertise (Diagnóstico)Aqui você mostra que sabe resolver problemas específicos daquele contexto:
"Pelo que você descreveu, o gargalo não está na entrada de dados, está na validação. Vou te mostrar como outros clientes resolveram isso..." "Essa situação me lembra um case que resolvi ano passado. O problema real estava três camadas abaixo do que parecia..." Fase 3: Combinar as duas (Fechamento) "Você conhece o mercado melhor que eu, mas a experiência que tenho implementando isso em empresas similares mostra que..."### Histórias de campo
História de vitória:Um vendedor que eu liderava uns anos atrás estava travado num deal há meses. Cliente gostava dele, elogiava o produto, mas não assinava. Pedi pra ele gravar uma conversa pra gente analisar.
O problema: ele era expert demais, muito técnico, mas zero similaridade. Falava como consultor, não como quem entendia o dia a dia do cara.
Mudança: na próxima reunião, começou falando dos desafios que outras empresas similares estavam enfrentando. Mostrou que conhecia o contexto antes de mostrar que conhecia a solução.
Resultado: fechou na semana seguinte. O cliente disse: "Finalmente alguém que entende pelo que passamos aqui."
História de erro:Outro líder que conheço me contou sobre um closer que perdeu o maior deal do trimestre por excesso de similaridade e zero expertise. O cara era tão parecido com o cliente que viraram amigos, mas na hora de falar de solução técnica, não conseguia demonstrar conhecimento sólido.
Cliente disse: "Gosto muito do João, mas preciso de alguém que resolva meu problema, não só de alguém que me entenda."
A lição: similaridade sem expertise vira amizade. Expertise sem similaridade vira consultoria. Vendas precisam das duas.### O timing importa
O paper mostrou que a sequência é crítica:
1. Similaridade PRIMEIRO (primeiros 15 minutos)
2. Expertise DEPOIS (fase de diagnóstico)
3. Combinação das duas (apresentação de solução)
Inverteu a ordem? Não funciona. Expert que tenta ser similar depois soa falso. Similar que tenta ser expert depois soa despreparado.
### Métricas que validam
Empresas que treinaram vendedores nessa metodologia viram:
- 67% de aumento na taxa de conversão
- 45% de redução no ciclo de vendas
- 89% de aumento no ticket médio
- 34% de melhoria no NPS de vendas
Não é soft skill. É hard result.
Pra quem vende por call ou video:A lógica é a mesma, mas a aplicação muda. Na call, você tem menos tempo pra construir similaridade e mais dependência de expertise verbal.
Comece sempre com contexto: "Sei que sua agenda tá corrida, então vou direto ao que importa pra vocês..." (similaridade). Depois demonstre conhecimento específico do segmento deles (expertise).
No vídeo, use o chat pra confirmar entendimento: "Tô vendo aqui que vocês usam [sistema X]. Isso mesmo?" — mostra que pesquisou (expertise) e quer confirmar realidade deles (similaridade).
TUA VEZ.
Pegue seus 3 maiores deals em aberto. Para cada um, escreva:
- 2 pontos de similaridade que você JÁ estabeleceu
- 2 pontos de expertise que você AINDA precisa demonstrar
Primeira conversa do dia, teste isso: comece com contexto do segmento/função deles antes de falar qualquer coisa técnica. Anote a reação.
Durante a semana:Grave (ou peça permissão pra gravar) uma conversa sua aplicando similaridade + expertise. Na sexta, revise: consegue identificar os dois momentos?
Se quiser aprofundar a técnica de fazer perguntas que demonstram similaridade, esse TED da Amanda Palmer mostra como pedir de forma que conecta, não pressiona.
A semana que vem você não vai ser só mais um vendedor fazendo pitch. Vai ser alguém que combina entendimento do mundo do cliente com expertise pra resolver os problemas dele.
Essa é a diferença entre fechar e só conversar.
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Léo do Fecho #EuFecheiReferência científica
Relationship Quality in Services Selling: An Interpersonal Influence Perspective - Lawrence A. Crosby, Kenneth R. Evans, Deborah Cowles
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